Estrela Brasileira no Céu Azul
Para quem não sabe, houve uma época em que para eu ir ao gineco fazer o preventivo eu tinha que pegar avião. Para fazer compras na C&A ou ir ao cinema, eu tinha que tirar um dia no trimestre e ir de avião.
Pois bem, nesse tempo o serviço de bordo costumava (ainda) oferecer suco de tomate, e eu sempre pedia isso, posto que era o único lugar em que eu achava tão deliciosa bebida.
Eu vinha pro Rio visitar os parentes e tal, mas para isso, para chegar a civilização, eu pegava um Brasilia tão silencioso, que já na segunda viagem me mostrou a necessidade de levar um protetor auricular na bagagem de mão (isso é real).
Era comum a aeromoça estar, abaixada, a distribuir o lanche e ter que largar tudo e sair correndo pra colocar o cinto. Era comum também minhas blusas chegarem a Belem manchadas de suco de tomate. Razão pela qual eu sempre - SEMPRE - viajo com uma blusa de strech preta que tinha uma bandeira do Brasil emborrachada (ja saiu) e uma calça que posso dobrar e virar bermudão.
Acontece que estas peças entraram com a petição para aposentadoria compulsória e resolvi trocar o visu nas minhas últimas viagens. Mas isso fica para outro post.
Enfim, eu me acostumei, realmente, a pegar turbulência, vácuo, e teve uma vez até que a máscara de oxigênio caiu na minha testa, me causando um puta susto, porque eu ja tava tão tarimbada naquele vôo, que não era uma quedazinha de pressão eu degrau de 300 metros que iam me fazer abrir os olhos e prestar atenção no mundo a minha volta.
Pois bem, depois eu voltei pra civilização, eu passei a pegar aviões normais, rotas normais e isso nunca mais aconteceu. Até a 15 dias atrás. Foi, de todos os meus vôos, o mais emocionante.
Começou que eu tava meio dormindo até que vi a televisãozinha em frente ao portão gritando que era a última chamada pro meu vôo. Corri esbaforida pra fila, e descobri que, faltando 7 minutos pra decolagem, ninguem havia entrado ainda. Tinha alguma coisa errada, e na certa estava relacionado aos dois barbudos que saiam, algemados, do braço de embarque por onde nós deveríamos entrar.
Ao entrar, os comissários todos com cara de espanto. Sentei, normal. O avião começou a taxiar, normal. A aeromoça começou a dar as diretrizes de segurança, normal. O avião ganhou altura, normal. A aeromoça começou a dizer no alto falante "algum médico a bordo? Por favor, é urgente, algum médico a bordo?", normal.
A luz do cinto de segurança comeu a piscar, ela pediu a todos que mantivessem seus lugares e não levantassem para nada. O avião entrou numa zona de turbulência. Eu peguei uma revista. O mocinho que devia ter uns 17 anos e que se levantou, ante a chamada do médico, comecou a correr pro seu lugar, abrir a mochila e catar coisas la. As luzes do avião diminuiram e todos os comissários estavam em volta de alguem, o avião sacolejava e, em meio a tudo isso, me sai comandante da cabine de comando pra perguntar o que estava havendo, em alto em bom som. Isso acalmou a todos os passageiros, inclusive a mim. O medico jovem caiu no chão. Eu comecei a ficar levemente nervosa, o comandante tentava voltar pra cabine, minha cabeça batia na lâmpada. Foi legal.
No final, cheguei bem. Mas, putz, não tenho mais idade para isso não ...
Pois bem, nesse tempo o serviço de bordo costumava (ainda) oferecer suco de tomate, e eu sempre pedia isso, posto que era o único lugar em que eu achava tão deliciosa bebida.
Eu vinha pro Rio visitar os parentes e tal, mas para isso, para chegar a civilização, eu pegava um Brasilia tão silencioso, que já na segunda viagem me mostrou a necessidade de levar um protetor auricular na bagagem de mão (isso é real).
Era comum a aeromoça estar, abaixada, a distribuir o lanche e ter que largar tudo e sair correndo pra colocar o cinto. Era comum também minhas blusas chegarem a Belem manchadas de suco de tomate. Razão pela qual eu sempre - SEMPRE - viajo com uma blusa de strech preta que tinha uma bandeira do Brasil emborrachada (ja saiu) e uma calça que posso dobrar e virar bermudão.
Acontece que estas peças entraram com a petição para aposentadoria compulsória e resolvi trocar o visu nas minhas últimas viagens. Mas isso fica para outro post.
Enfim, eu me acostumei, realmente, a pegar turbulência, vácuo, e teve uma vez até que a máscara de oxigênio caiu na minha testa, me causando um puta susto, porque eu ja tava tão tarimbada naquele vôo, que não era uma quedazinha de pressão eu degrau de 300 metros que iam me fazer abrir os olhos e prestar atenção no mundo a minha volta.
Pois bem, depois eu voltei pra civilização, eu passei a pegar aviões normais, rotas normais e isso nunca mais aconteceu. Até a 15 dias atrás. Foi, de todos os meus vôos, o mais emocionante.
Começou que eu tava meio dormindo até que vi a televisãozinha em frente ao portão gritando que era a última chamada pro meu vôo. Corri esbaforida pra fila, e descobri que, faltando 7 minutos pra decolagem, ninguem havia entrado ainda. Tinha alguma coisa errada, e na certa estava relacionado aos dois barbudos que saiam, algemados, do braço de embarque por onde nós deveríamos entrar.
Ao entrar, os comissários todos com cara de espanto. Sentei, normal. O avião começou a taxiar, normal. A aeromoça começou a dar as diretrizes de segurança, normal. O avião ganhou altura, normal. A aeromoça começou a dizer no alto falante "algum médico a bordo? Por favor, é urgente, algum médico a bordo?", normal.
A luz do cinto de segurança comeu a piscar, ela pediu a todos que mantivessem seus lugares e não levantassem para nada. O avião entrou numa zona de turbulência. Eu peguei uma revista. O mocinho que devia ter uns 17 anos e que se levantou, ante a chamada do médico, comecou a correr pro seu lugar, abrir a mochila e catar coisas la. As luzes do avião diminuiram e todos os comissários estavam em volta de alguem, o avião sacolejava e, em meio a tudo isso, me sai comandante da cabine de comando pra perguntar o que estava havendo, em alto em bom som. Isso acalmou a todos os passageiros, inclusive a mim. O medico jovem caiu no chão. Eu comecei a ficar levemente nervosa, o comandante tentava voltar pra cabine, minha cabeça batia na lâmpada. Foi legal.
No final, cheguei bem. Mas, putz, não tenho mais idade para isso não ...

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